Músico em Porto Alegre, ser ou não ser?

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Os empecílios em criar e difundir música no estado, hoje, são muitos. Desde o início, como estudante, até a colocação do músico por parte da sociedade. As dificuldades são muitas: no início, encontrar professores bons e sérios – pois como em toda profissão, existem os maus e os despreparados e isso ocorre, principalmente, pela falta de escolas e até mesmo de incentivo por parte de pais e governantes. Temos também a falta de bons exemplos, pois faz gerações que estamos vindo em um declínio técnico, e falta de acesso aos grandes mestres e suas obras por parte do grande público, a música de consumo e o mercado são claros “inimigos” da boa música.

Temos também o fator cultural e até folclórico em torno da profissão. Quem nunca ouviu aquela brincadeira? ” … tu só é músico ou trabalha também?” Isso gera, mesmo que imperceptivelmente, principalmente nas camadas sociais de pouca instrução, ou seja,  quase que todas hoje em dia, um preconceito e um mal juízo sobre uma profissão que é tão linda e necessária quanto qualquer outra. Por conta de pequenos maus hábitos como esse é que os preconceitos crescem com o tempo, o que gera um desrespeito por nossa profissão, desrespeito este que vem não só das autoridades, mas também do próprio músico, já que órgãos que deveriam regulamentar e dignificar a profissão só fazem explorar e nada mais ( OMB – Órdem dos Músico do Brasil). Por conta disso, quantas vezes me peguei receoso em dizer minha profissão às pessoas? Hoje, não mais. Esse desrespeito se reflete nas atitudes de uma parcela da população, que não sabe, sequer, como se comportar ante um artista ainda desconhecido ou de trabalho mais sofisticado, pois o povo se habituou a mediocridade.

Não se deixem abater, colegas, pela “ditadura dos três acordes e da mediocridade consonante”. Ousem sem medo! Mas fora os fatores sócio-culturais, ainda temos os fatores políticos e comerciais, pois a arte verdadeira não é veiculada pelos meios de ” comunicação” que parecem ainda, em sua grande maioria, dominados pela indústria fonográfica, grandes gravadoras, “Jabás” e demais grandes corporações que, de comum acordo, manipulam quase ditatorialmente a opinião pública, tratando de tornar o grande público cada vez menos crítico e mais consumista, o que é bem conveniente aos comerciantes.

Temos aqui no Sul também nossas próprias mazelas, como falta de divulgação para eventos de pequeno e médio porte, por onde passam artistas iniciantes (ou não) e também o meio dito Underground que, nas últimas décadas, tem sido o “único alento” aos que, assim como eu, não toleram mais os insultos, por parte dos meios ditos de “comunicação” para com a nossa inteligência e capacidade de discernimento.

Tenho ao longo dos meus … ops , bem… ãh, não vem ao caso, né gente? … não é “pertinente” rsrs. Enfim, venho presenciando o surgimento de muitos movimentos e tendências que poderiam vir a ser, não uma solução imediata, mas a longo e médio prazo para esse vazio musical, mas por motivos desconhecidos ou acabam por se estiguir precocemente ou condenados ao ostracismo.

Não sei ao certo as razões disso, mas uma delas certamente é a falta de uma unidade por parte dos próprios artistas. Uma conseqüência disso é a migração de artistas, principalmente para o centro do país e até para outros países. Fenômeno esse que eu vejo como uma vergonha para nós gaúchos, mas que me parece ser bem aceito pela população. Nos falta aquele ” bairrismo” desperdiçado com times de futebol na hora de defender e valorizar o artista local.

Me parece que teremos muitos casos semelhantes aos de Elis Regina, Adriana Calcanhoto, Yamandú Costa, e muitos outros, pois por último o nosso adorado prefeito José Fogaça (músico frustrado) baixou uma lei que proíbe música ao vivo em bares e restaurantes da linda Porto Alegre.

É amiguinhos, não vejo luz no fim desse túnel, somos delinquentes, personas non gratas em Porto Alegre! Mas o resto é com vocês , um grande abraço do amigo de vocês Fabrício Fortes Vieira, violonista, cantor, compositor, letrista, professor de música e arranjador. Por hora, um marginal!

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Comentários

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Um comentário

  1. Assino embaixo. Realmente, a falta de unidade é apenas um dos muitos fatores que levam à emigração de artistas do Rio Grande do Sul. Entre os músicos daqui, não há foco nem objetivo: existe apenas egos inflados, mauricinhos pseudo-socialistas e artistas frustrados, todos virando as costas uns para os outros. “Eu tenho mais técnica”, “eu canto melhor”, “o sistema é cruel comigo”, e por aí vai. E o pior é que se esquecem de um detalhe importante: um grande artista não chega a algum lugar sozinho. Se não há espaço e divulgação decentes, os próprios artistas tem certa parcela de culpa, também. Não adianta dar uma de gostoso e ser um nada para o sistema – no caso dos marginais, veteranos anônimos. Todo artista se expressa pra ser lido, escutado, admirado. Nada de castelos imaginários que não levam ninguém a nada. Para colocar o bloco na rua, é preciso união – e o objetivo, a derrubada da ditadura da mediocridade. A mídia somos nós!

    No mais, desligue o rádio.
    Rafael Sanzio

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