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Para quem estiver curtindo as férias em Porto Alegre, uma ótima opção de passeio é visitar a exposição de Henrique Fuhro no MARGS , em cartaz até 27 de fevereiro. Trata-se de uma mostra panorâmica do artista, falecido em 2006, que inclui pinturas, desenhos e gravuras da década de 1960 até seus últimos dias.
Ao visitar a mostra de Henrique Fuhro, deslumbrei-me com o colorido do artista que lembrava ter visto exposto nos cinemas Guion. De fato, as cores vivas agregam beleza às obras tornando o contato com elas extremamente prazeroso. Porém, passada a euforia do primeiro olhar, percebi que havia naquelas imagens algo a mais, que ultrapassava o prazer estético. Eram homens mascarados, ora atletas, ora músicos; mulheres nuas, instrumentos musicais, tudo isso se repetindo, mas nunca caindo na monotonia. Quem eram os mascarados que o artista representava insistentemente? Que fascinação pelos instrumentos que tornava-os protagonistas de seus quadros, quase personificando-os? E, sobretudo, o que buscava – e se buscava – transmitir através de seu imaginário?
Apesar de não me apegar muito a interpretações do que vejo em arte, priorizando a sensação que vem na experiência estética, confesso que me intrigaram tanto a temática repetitiva do artista e a forma com que a representava, que não me contive apenas com o sensível, buscando maior imersão na obra do artista. Suas referências são esclarecedoras na compreensão das imagens. O artista não detém sua inspiração apenas nas artes visuais: publicitário, leitor de quadrinhos, como os de Will Eisner e Alex Raynond ; fissurado por jazz e influenciado pela cultura pop e o erotismo dos anos 1950, agregou tudo isso a seu trabalho.
O resultado disso é um discurso a respeito da condição humana nos dias de hoje. Fala do contemporâneo utilizando-se de uma técnica extremamente tradicional, partindo de um fazer manual para tratar de uma sociedade automática, em que a máquina tudo executa. O colorido que chama primeiro a atenção, disfarça a solidão dos personagens mascarados e se contrapõe à composição extremamente calculada. Os músculos não escondem a fragilidade das figuras, e as máscaras não ocultam o vazio, apenas explicitam a perda da individualidade do homem escravo dos padrões de beleza. Nas palavras do filósofo Gerd A. Borheim , na obra de Fuhro “tudo se mostra separado, isolado, como se o mistério do encontro devesse permanecer entregue ao enigmático cálculo de um acaso gratuito e sempre impossível.”
Há também o aspecto lúdico de tudo isso. Fuhro faz variações sobre um mesmo tema: do final dos anos 1960 até os anos 2000, repetem-se seus mascarados e suas mulheres nuas. Como no jazz, a variação de um mesmo tema faz a obra e o domínio técnico não se contrapõe à liberdade. Em suma, nas palavras de Luis Fernando Veríssimo : “Pintura também é tema e variações, também é liberdade e improviso e – como no casso de Fuhro – também é a tensão entre inventividade e rigor técnico”.
Henrique Fuhro
Visitação: até 27 de fevereiro de 2011
Local: Pinacotecas do MARGS
MARGS – Praça da Alfândega, Centro – Porto Alegre
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 19h.
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