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Você acredita que é possível aprender algo com Homer Simpson? Para a UC Berkeley na Califórnia, a resposta é sim, ou quem sabe d’oh! Nesta universidade, os estudantes da disciplina The Simpsons and Philosophy se aprofundam no universo filosófico dos personagens de Matt Groening. Para o professor Sam McManis, a série traz um olhar sobre a complexa condição humana atual, e como fazemos nossas escolhas morais em um mundo caótico. Estudantes aprendem a responder questões do tipo: “A rejeição da moralidade tradicional de Nietzsche justifica o mau comportamento de Bart?”
Mas a UC Berkeley não entrou sozinha nesta tendência da usar séries como material didático. De acordo com o Hollywood Reporter, a Chicago Northwestern University acredita que a über cultuada série Mad Men não é apenas entretenimento, é também altamente educativa. O professor de História Michael Allen criou uma disciplina chamada: Consumerism and Social Change in Mad Men America in 1960-1965, cujo programa inclui assistir aos episódios do premiado drama. De acordo com o ele, Mad Men ajuda na compreensão das mudanças políticas e culturais daquele período, através da análise da trama, dos personagens e da forte presença da publicidade na nossa sociedade. Para o acadêmico, a série faz um retrato fiel da vida nos anos 60, não apenas no que diz respeito à moda e consumo de massa, mas também da dinâmica das relações de trabalho e dos papéis sociais.
Outro exemplo é a University of North Florida, que criou a disciplina Lost and The Infinite Narrative como parte do curso de Literatura. Inspirada na série da ABC, a disciplina, de acordo com a professora Sarah Clarke Stuart, examina os temas recorrentes de Lost, suas teorias de conspiração, time travel, e as inúmeras referências a conceitos da Física, Matemática, Teologia e Literatura. Uma disciplina semelhante também é ensinada na Tufts University, de Massachusetts.
No Middlebury College, em Vermont, a disciplina Urban American & Serial Television: Watching The Wire faz parte do currículo desde o ano passado. O curso usa a cultuada série da HBO (que ainda não chegou ao Brasil) sobre o submundo das drogas, da política e da lei como uma janela para vários problemas sociais da América contemporânea. E ao que parece, universidades como Berkeley e Duke já começaram a oferecer também cursos sobre a série.
Outras séries atuais, como The Sopranos e Sex and the City, também fazem parte desta tendência, conforme afirma a revista The Week. Afinal, no atual época de convergência midiática, a utilização de histórias no ambiente corporativo, seja para inspirar funcionários ou para vender produtos via publicidade (um conceito conhecido como storytelling) já vem sendo utilizado no Brasil e no mundo. Um próximo passo lógico seria a utilização desta prática também no meio acadêmico. Para o prestigiado MIT de Massachusetts, que criou o núcleo Convergence Culture Consortium para estudar o assunto, a tendência é que as barreiras entre o mundo da fantasia e da realidade se confundam cada vez mais no futuro, gerando um maior envolvimento do receptor com o conceito sendo passado.
Estarei torcendo para que esta tendência desembarque logo nas universidades brasileiras. Afinal, não há dúvidas de que a cultura pop – seja ela nacional ou importada – é inerente às nossas vidas, queiramos ou não. E se este universo pop servir como ponte para uma melhor compreensão das teorias de Nietzsche, Barthes, Einstein, Sartre, McLuhan e companhia, por que não?
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Sheron Neves é publicitária, mestre em História do Cinema e doutoranda em Estudos de Televisão, ambas pela Birkbeck, University of London. Tem também um blog chamado Meditations in an Emergency onde escreve sobre TV, cultura pop e o impacto das mídias sociais na audiência. No Twitter posta novidades, cursos e e-books sobre o tema.
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