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É com imenso prazer que inicio hoje uma cobertura diferenciada sobre o Porto Alegre Em Cena 2011. Até o final do mês estarei postando uma matéria por dia sobre as principais atrações do festival em colaboração com Luciane Pires Ferreira, uma das fotógrafas mais destacadas do cenário artístico gaúcho.

Escrito pelo britânico Tom Kempinski, “Dueto Para Um” gira em torno de Stephanie Abrahams, uma violinista vítima de esclerose múltipla e que deve aprender a lidar com sua perda crescente e degenerativa dos movimentos, o que, inevitavelmente, reverberará na incapacidade total de tocar o seu instrumento. Dr. Feldman, seu psiquiatra, procura de forma minuciosa mas ao mesmo tempo urgente estabelecer um diálogo com sua paciente sobre os efeitos que essa situação acarretará em sua vida. À medida que a cumplicidade vai se estabelecendo surgem fantasmas do passado e lacunas emotivas na alma da artista, como o fato da rigidez e insensibilidade de seu pai terem refletido no desenrolar austero e frio de sua trajetória profissional, assim como a evidência da inversão de papéis no relacionamento com seu marido.
Do ponto de vista estético e interpretativo, o espetáculo é absolutamente irretocável. Um palco giratório associado com uma iluminação minimalista e uma trilha sonora impecável imprimem mais emoção nos diálogos estabelecidos por Bel Kowarick e Marco Suchara, em atuações arrebatadoras. Em breves momentos perde-se um pouco do ritmo, algo compreensível para uma peça de 90 minutos com essa narrativa, (o ideal seriam 60), mas nada que comprometa o resultado final desse belo processo. Inspirado na obra da violoncelista Jacqueline du Pré.

Em outro extremo surge “Cordel do Amor Sem Fim”, texto da baiana Claudia Barral encenado pelo pernambucano Samuel Santos. Na cidade de Carinhanha, sertão baiano, três irmãs com características completamente opostas convivem na mesma casa: a encalhada Madalena, a misteriosa Carminha e a bela e sonhadora Tereza. A narrativa, a primeira instância, é bastante palpável. José ama Tereza que se apaixona no porto da cidade pelo viajante Antonio. E seria um espetáculo que possívelmente passaria em branco se não fosse a virtuose absurda das atuações do elenco, que canta, interpreta e revela um domínio único acerca de elementos do candomblé. Com muito dinamismo, humor generoso e graça, o grupo “O Poste:Soluções Luminosas” tocou os corações e almas do público que aplaudiu de forma genuína e eufórica o espetáculo apresentado nessa sexta-feira.

FICHA TÉCNICA
Dueto Para Um:
Texto: Tom Kempinski
Tradução: Ana Saggese
Direção: Mika Lins
Elenco: Bel Kowarick e Marco Suchara
Figurino: Mika Lins
Iluminação: Caetano Vilella
Cenário: Cássio Brasil
Trilha Sonora: Marco Pellegrini
Operação de Som: André Rizzo Coletti
Operação de Luz: Wagner Antonio
Produção Executiva: Roberta Koyama
Direção de Produção: Bel Kowarick e Henrique Mariano
Cordel do Amor Sem Fim:
Texto: Claudia Barral
Direção: Samuel Santos
Elenco: Agrinez Melo, Eliz Galvão, Nana Sodré e Thomaz Aquino
Cenário: Samuel Santos
Figurino: Agrinez Melo
Iluminação: O Poste: Soluções Luminosas
Operação de Luz: Igor Ehric
Trilha Composta: Carlos Barral
Músico: Diogo Lopes
Fonoaudióloga e Técnica Vocal: Theonila Barbosa
Maquiagem: Rosinha Galvão
Professor de Tai Chi Chuan: Sifu Manoel
Produção: O Poste: Soluções Luminosas
Fotos dos espetáculos: Luciane Pires Ferreira

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