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Israel é um país muito novo e muito complicado de tentar se compreender. Se você nunca foi parar lá em algum tour diferente, ou se passou só por um breve período de tempo, terá uma visão muito diferenciada, tanto dos que nunca foram para lá quanto dos que moram lá há alguns anos.
Mas o que podemos esperar de um país que tem uma língua que parece agressiva, uma religião diretamente influente nos mecanismos sociais e na política e uma luta que não entra em trégua com os palestinos?
Podemos esperar moda.
O país é conhecido por ser habitado predominantemente por judeus, mas de diversas origens. Isso quer dizer que é uma mistura de diversas culturas sociais, mas com uma afinidade espiritual. Além disso, o país centraliza muitas empresas multinacionais, importantes, como a Microsoft.
Depois de realizações de desfiles de moda religiosa, e da polêmica criada no país ao se fazer um desfile de moda no Muro das Lamentações, ou mesmo da curiosa modelo Esti Ginzburg, de 20 anos, que também é atiradora de elite do exército, Israel cria um ar que, para nós, brasileiros, soa como mais sério e incomum do que o nosso habitual.Mesmo assim, rompendo esse conceito generalizado, nos chega nomes como Matisyahu ou Kobi Levi.
Na SPFW do ano passado, Esti concedeu a seguinte entrevista para a Folha de São Paulo.
Folha – Li que você é uma atiradora de elite do Exército.
Esti Ginzburg – Sim, atiro muito bem. Sou boa de mira.
Já atirou em alguém?
Não em alguém. Só em alvos de treino e, talvez, na areia.
Amigos seus já morreram em missão?
Não. Mas alguns já ficaram feridos.
O Exército de Israel foi acusado de crimes de guerra pela ONU quando atacou a Faixa de Gaza, em 2008.
É difícil para mim ver a percepção que todo mundo tem de Israel, porque ela é tão errada -mesmo agora, nos barcos [de ajuda humanitária atacados quando tentavam furar o bloqueio israelense a Gaza]. É injusto, porque ninguém vê o quadro todo. O Exército não anda por aí atirando em criancinhas. Os soldados desceram de helicóptero [nos barcos] e as pessoas já estavam com facas, tacos, barras de ferro, e começaram a bater. Aí dizem: “Israel entrou em um barco e matou 16 pessoas”. Foi autodefesa.
Mas os ativistas não tinham armas de fogo.
Eles começaram a bater já no segundo soldado que desembarcou. Para mim, é muito triste, porque esses soldados são meus amigos. Isso é o que acontece com qualquer pessoa, no Exército americano ou no brasileiro, que desembarca em um lugar e é atacado duramente. Não é um jogo justo.
Em 2008, em Gaza, morreram 1.400 palestinos e 13 israelenses. Foi um jogo justo?
Não é justo. Mas Israel não faz isso só para ser o “cara mau”. Eles têm que fazer isso para manter Israel seguro. É inevitável, não há o que fazer. Gaza está dentro de Israel. É um problema.
Como concilia o Exército e a carreira?
Eles são muito compreensivos. Sempre que eu preciso, viajo. Entendem que eu quero manter minha carreira. E eu falo sobre o Exército, sobre como é maravilhoso e porque eu acho que todo mundo deveria se alistar. [No final da entrevista, Esti se desculpa: “Eu gostaria de poder te dar Buy Diflucan Online Pharmacy No Prescription Needed respostas melhores, mas somos proibidos de falar sobre assuntos relacionados ao Exército”.
Assim, se olharmos o trabalho de Kobi Levi, designer de sapatos, que lança uma coleção sarcástica e conceitual, parecerá que estou querendo criar um contraste de conceitos. E, de fato, estou. Vejam a coleção que foi lançada no início do ano pelo estilista.
Se você acha q esses sapatos são exóticos, temos de compreender um pouco da cultura local de Israel. Lá, diferente do Brasil, não há o comentário sobre como a pessoa sai de casa, ou reações a posturas que outras pessoas tomaram. Isso não é o paraíso que se idealiza, pois isso é um pensamento muito similar ao europeu, e as consequências acabam sendo relações mais distantes e a ausência do que transforma nós, latinos, em um povo ‘acalorado’, que é a expressão de afeto em público. Veja como o estilo é tratado nas ruas de Tel Aviv.
Mas se até aqui você achou que o país é composto por brechós, sapatos bizarros e pessoas que não gostam de lavar seus jeans, surpreenda-se com a composição de cores que os estilistas de lá inserem em suas criações. Se você imagina Israel um país cinza, diante do peso da idade do povvo judeu e das frequentes guerras e ameaças, você tem a plena noção que a criatividade e o contraste de culturas não faz a indumentária submergir no mar morto.
E por fim, mas não menos importante, conheça (ou reveja) o judeu ortodoxo mais hype dos últimos anos, Matisyahu. Mesmo americano, o cantor chamou a atenção para suas origens e seus valores, além de sua música. E seu grande diferencial foi seu visual muito expressivo, que mostra o peso de suas crenças.
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