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Esta edição do Donna Fashion (28 de setembro a 02 de outubro) não só celebrou os 10 anos do evento, como também trouxe ao Rio Grande do Sul nomes fortes e já consagrados da moda nacional. Na edição primavera-verão 2012, o maior evento de moda do estado aposta nas tendências das cores, que aparecem, inclusive, na identidade visual da arquitetura e da campanha publicitária do evento.
A curadoria artística deste ano ficou sob o comando da famigerada jornalista de moda Érika Palomino, ao lado com Mariana Kalil, editora do caderno Donna, da Zero Hora dominical. O Entremeios, que deu espaço para novos nomes da moda gaúcha, foi organizado pela Débora Tessler.
Como todo ano, o Donna Fashion tem um projeto muito ambicioso. Tratando-se de moda, trazer nomes consagrados como Colcci, Tufi Duek (por Edu Pombal), Alexandre Herchcovitch, Bobstore (com a top Renata Kuerten), Forum, Huis Clos – estilista (por Clô Orozco), André Lima, Mara Mac By Twin Set e Cori (por Priscila Darolt) é muito significativo para o público gaúcho mais interessado em moda e tendências. Além disso, muitas marcas ainda apostaram em nomes já consagrados pelo público, como a Spezzato (que trouxe Sophie Charlotte), a Forum (com Ricardo Pereira), D´Marietta Girotto (com Ricardo Tozzi ), Renner (com Carlos Casagrande), Convexo (com a bloggeira teen Bela Leindecker) e C&A (com a nova queridinha da MPB Juliana Khel). Ainda passaram pela passarela principal Mandi & CO. e Trópico. No domingo, o fechamento do evento se deu com o composè de moda infantil da Tyrol, Kids By Animê (com Marcos Pasquim e sua filha), VR Kids (com o estilista Guilherme Moreno Nascimento) e C&A Infantil.
Para valorizar os nomes do estado, o Donna Fashion, além do concurso Next Generation para estudantes de moda e designers, ainda conta com o projeto Entremeios, na passarela do lounge, que colocou estilistas gaúchos em contato direto com o público, da forma mais democrática possível. O grande trunfo do Entremeios era ter seus horários entre os horários do desfile principal, que era restrito a quem tivesse convites. Ou seja, se você não tivesse o convite da passarela principal, poderia assistir pelo telão em tempo real o desfile de marcas consagradas – podendo ainda ver os modelos ao vivo por um breve espaço de tempo na passagem curta pelo louge, ainda em área restrita-, e depois apreciar o desfile aberto, se acomodando em cadeiras ou mochinhos coloridos, de uma forma mais intimista. O projeto entremeios contou com a presença de Samba no Pé, Manto, Adriana Zanol, Teodoro Salazar, Haag, Victoria Seger, Kavietz, Current, Mary Lint, Lybethras e Fernanda Rech; Os vencedores do Next Generation foram Matheus Bittencourt (IPA, pelos dias 28-29/09) e Mateus Boeri (IPA, pelos dias 30/09 e 01/10).
Tivemos novamente o prazer de ter um papo bem animado com Teodoro Salazar, que foi muito gentil em convidar a equipe do Café para assistir seu desfile no dia 29.
O Café: É a sua primeira vez participando do Donna Fashion. O que você acha do impacto que um evento como esse pode proporcionar?
Teodoro Salazar: É muito importante para o reconhecimento do estilista. É uma mídia local (RS) muito forte, e te dá acesso direto ao público interessado em moda e em produções locais.
O Café: Tratando-se de moda, os estados que mais destacam-se na moda nacional é SP e RJ. Ainda assim, estados como Minas estão lançado eventos e indo atrás de uma identidade do vestir própria. O que você acha da moda gaúcha? Estamos a caminho de uma identidade visual mais afinada com nossa cultura?
Teodoro Salazar: Sim, isso sim. Estamos criando uma identidade. Mas não podemos achar que isso é difundir a moda no país, até por questões climáticas, que nos diferenciamos muito dos estados mais praianos ou quentes.
O Café: Érika Palomino afirmou que hoje não se pode falar de moda sem pensar em toda uma estrutura cultural que acerca o tema, como arte e fotografia. Como você insere seus valores culturais em suas peças?
Teodoro Salazar: Fiz minha pesquisa de tema observando jardins. Acredito que a arquitetura, bem como a limpeza que está em vigor nas mais diversas tendências culturais, acabaram sendo muito influentes nesta hora. Executei minhas peças em moulage para mostrar toda a sinuosidade que a forma pode assumir quando temos inspiração.
O Café: E quais os principais elementos culturais que hoje te influenciam na hora da criação?
Teodoro Salazar: A música, sem dúvida, é minha maior referência. Além de uma forte manifestação cultural, é um campo muito amplo, que se insere diretamente no lazer. Mas saber ouvir do movimento das ruas também é importante na hora de criar.
O Café: A idéia dos desfiles abertos da divisão Entremeios, no Donna Fashion, foi muito interessante, pois trazia nomes ainda não consagrados da produção gaúcha. Você era o único representante que não é morador de Porto Alegre. Qual você julga ser o diferencial que te colocou como uma carta tão importante no evento?
Teodoro Salazar: Não sei exatamente. Confio muito no meu trabalho, mas sei que sou um nome novo na moda (sua marca não tem pouco mais de um ano). Sempre gostei do que faço e acho que isso pode ficar marcado em cada peça minha, como uma assinatura (risos). Mas é uma honra poder ser reconhecido num evento de tamanha dimensão regional.
O Café: Teu desfile trabalhou muitas cores e tecidos nobres, mas principalmente mostrou peças limpas e muita moulage. Você acha isso uma tendência forte? Romper as modelagens ultra rebuscadas que vem vindo nos últimos tempos, e passar para peças mais individualistas, simples e claras?
Teodoro Salazar: Sim. Já disseram que a moda está muito democrática, e é verdade. Agora cabe a cada um desbravar o seu estilo e passar a se mostrar como um ser único, como se é.
O Café: Qual você acha o diferencial na cultura de moda do sul para os outros estados?
Teodoro Salazar: Não podemos comparar o sul com outros estados. Como sou de Caxias do Sul, tenho muito contato com famílias que ainda mantém suas origens e descendências italianas e alemãs muito fortes. E isso é uma característica muito marcada no cotidiano gaúcho. Além disso, o sul não tem aquele apelo estético que o RJ demanda, pelas praias e calor; nem o ar cosmopolita de SP. E, como falamos antes, não podemos desconsiderar o clima como um diferencial muito marcante por aqui. E tudo isso pesa na estrutura de produto, bem como de identidade, pois cria estruturas, tanto culturais como de hábitos cotidianos, que demandam um produto diferenciado, que atenda a esses aspectos e se adeque ao visual e ao uso ao qual se propõe.
O Café: Por fim, como você vê o acesso a cultura de moda do gaúcho? Pois no Donna Fashion vimos muitas pessoas que vestiam as últimas tendências, mas sem adequarem a tendência ao seu estilo pessoal, ou mesmo tipo físico. Hoje existe espaço e forma de se criar as famigeradas it girls em Porto Alegre?
Teodoro Salazar: Acho que hoje a capital não está com pessoas que estejam engajadas em serem it girls; está faltando identidade pessoal, não só cultura de moda. Seguir tendência todo mundo pode seguir, mas saber o que está expressando, bem como mostrar-se, é bem diferente disso. Hoje vemos estilos diferenciados, mas que são tão semelhantes que não mostram seu conteúdo, ou ao que vieram. Hoje a identidade é a peça fundamental no guarda-roupas, tanto para uma it girl quanto para quem quer saber se vestir, em geral.
Veja alguns dos modelos desfilados pelo estilista.
FOTO: Luciane Pires Ferreira
Agradecimento especial a Teodoro Salazar por ceder material pessoal.
Mas não podemos achar que o evento foi um sucesso absoluto. Quem subiu ao 5° andar do estacionamento do Shopping Iguatemi deve ter se deparado com pequenas falhas que o estabelecimento oferecia. A sistemática de subir as rampas do estacionamento não era boa, ainda mais se considerar que grande parte das mulheres que frequentam eventos de moda usa salto – e os saltos, hoje em dia, estão muito altos para vencerem uma rampa que acabava por tomar dois andares. Além disso, mesmo com todo o trabalho em decorar o espaço, as irregularidades do chão não eram devidamente sinalizadas, e era possível se notar muitas resbaladas, principalmente ao redor do Espaço Gourmet. Não suficiente, o estacionamento do shopping não oferecia circulação de ar ou ar condicionado, o que transformou a espera pelos desfiles numa peripécia muito difícil para os que não queriam perder um detalhe do evento – talvez, também, por essa temperatura incontrolável, o Espaço Gourmet não conseguisse manter em temperaturas agradáveis ao paladar bebidas como água, que não eram alojadas em baldinhos de gelo.
Já sabemos que o Rio Grande do Sul, mesmo rico em faculdades muito conceituadas em moda, ainda assim corre atrás da máquina. Não há uma produção coerente ou uma identidade de moda local que dê força para a moda arte no estado. Estamos vivendo num estado que tem todo o espaço para o indivíduo culturizar-se, podendo conferir teatro, cinema ou intervenções artísticas das mais diferenciadas gratuitamente. Está faltando valorizar mais a cultura pessoal e local para criar essa identidade fashion. E para ampliar esses espaços e esse conhecimento, eventos como o Donna Fashion são importantes, valorizando os talentos locais. Realmente espero, em breve, estar vendo nomes daqui e muita identidade local dominando as passarelas principais de eventos, e não tendo destaques apenas marcas que têm suas bases principais de criação e cultura no eixo Rio- São Paulo.
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