Afinal, teatro em Porto Alegre é caro?

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Na coluna da semana pessada eu postei algumas observações acerca do impacto do poder televisivo no público de teatro e a influência que muitas vezes galãs e heroínas de telenovelas exercem na fidelização de um determinado nicho de pessoas frequentadoras do mesmo.

E essa fidelização faz com que muitas pessoas paguem preços altíssimos para assistir uma determinada peça apenas pela referência televisiva que o galã exerce e, muitas vezes, esses mesmos grupos são os que reclamam de o teatro gaúcho ser caro, de as peças terem narrativas complexas e que não justificam o investimento de 15 reais em cerca de uma hora de um espetáculo com temática inverossímil e truncada.

Sim, caro leitor, eu já escutei essa observação inúmeras vezes!

 Mas porque então, essa resistência por parte de nosso público? O que falta para sensibilizar o mesmo? Será erro na estratégia de marketing de alguns grupos ou companhias teatrais? Ou será mesmo que é um certo preconceito por parte de nosso povo em aderir ao que é novo, inusitado e diferenciado?

Ainda que a cada ano seja visível e comemoratório o fato de o público ir e prestigiar cada vez mais o teatro local, ainda temos uma enorme parcela de espectadores pertencentes a classe artística, não necessariamente de teatro, artes em geral, mas enfim, artistas. E como mudar esse cenário?

Acredito que um dos fatores é começar o trabalho de sensiblização já na infância. São inúmeras as vantagens que o teatro proporciona na mente e no corpo de uma criança, desperta a curiosidade, aguça a sensibilidade e a auto-estima. O problema consiste no fato de que muitos pais, com o tradicional referencial do teatro nacional e não do local, acreditam não existirem “bons” exemplos aqui em nosso estado de profissionais competentes, o que obviamente é uma tremenda inverdade. Chego a ficar surpreso com os casos que já presenciei de pais que pagam valores altíssimos levando seus filhos para assistir o “Disney on Ice”, mas que viram a cara para a belíssima e excelente montagem do “Mágico de Oz”, da Cia Teatro Novo. Isso tudo baseado nessa ideia errônea e provinciana de que o teatro local não é de qualidade.

 ”O Mágico de Oz” dirigido por Ronald Radde

E então leitor, como podemos mudar esse raciocínio?

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