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Transferência da linha de produção para lugares com custo mais interessante não é novidade. Faz tempo que as grandes multinacionais mudaram seus setores produtivos para países com menor custo de produção e com mão-de-obra mais barata, notadamente a China.
A sigla “Made in China” é encontrada em quase todos os produtos de grife hoje em dia. Os produtos da Apple, por exemplo, trazem a inscrição “Designed by Apple in California, Assembled in China”, reforçando a procedência intelectual do produto. Logo, com a fabricação do iPhone 4 no Brasil pela Foxconn, teremos também um “assembled in Brazil”.
No Rio Grande do Sul, nos últimos anos, vimos tradicionais empresas do setor calçadista gaúcho, como a Grendene, transferirem suas produções para o nordeste em busca de melhores custos de produção.
Agora, a novidade é que empresas brasileiras estão transferindo suas produções para o Paraguai, buscando custos de produção e mão-de-obra mais baratos e aproveitando o aquecimento da economia paraguaia. O diretor da Rede de Inversiones y Exportaciones (Rediex), Oscar Stark, acredita que, até o final do ano que vem, 50 empresas brasileiras estarão instaladas no país, investindo cerca de cinco milhões de dólares cada uma.
O governo paraguaio resolveu investir em algo que o governo brasileiro faz de conta que não vê: os impostos. Enquanto no Brasil ICMS, IPI, PIS e COFINS somam mais de 36% sobre o custo do produto, no Paraguai o imposto único incidente é de apenas 1%. O imposto baixo também incide sobre o maquinário, que sai muito mais barato lá do que aqui. Adicionalmente, a energia elétrica abundante (Itaipú gera energia para o Paraguai) custa cerca de 20 a 25% do que custa deste lado da fronteira.
O governo brasileiro, indiferente aos apelos de empresários e população, continua apostando em altíssimos impostos para “proteger” a indústria nacional. Há pouco escrevi, na coluna Impostos para Alavancar a Indústria II, sobre o aumento injustificado e ilegal dos impostos para veículos importados, ao invés de baixarem os das indústrias nacionais. Impostos mais baratos estimulariam a economia doméstica, gerariam mais empregos e tornariam os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, num círculo virtuoso onde todos ganhariam.
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