O sexo e a moda

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Muita gente acredita que o dinheiro faz o mundo girar. Os mais românticos falam que é o amor. Outros, ainda, falam que é a cultura ou o conhecimento.

Mas… por que você se preocupa com a estética? Por que você se embeleza, gasta dinheiro e tempo se produzindo? Ou então, por que você se esforça para ler, estudar, culturizar-se?

Sempre falamos da cultura da moda, do expor seus valores… mas não podemos ignorar que ainda somos seres instintivos, que têm necessidades primárias animalescas, e que no fundo visam a reprodução – mesmo que os índices atuais, diante da superpopulação mundial, os índices de reprodução humana estejam caindo, principalmente em classes mais elevadas.

Aliás, temos alguns dados engraçados que divulgaram na TV nos últimos tempos que indicam essa relação dos instintos com as performances sociais no nosso país, tais como os índices das mulheres bem sucedidas do país repudiando a ideia de casamento ou morar junto – e postergando a gravidez- , ou mesmo que homens mal sucedidos costumam ter seus pênis de tamanho superior aos homens mais cultos e financeiramente bem sucedidos.

Ou seja, estamos buscando cada vez mais tecnologia, sabedoria, conhecimento, beleza… mas por um instinto muito mais animalesco do que se espera: esperamos ser a fêmea (ou o macho) de destaque no bando.

E se você está achando que esse papo não tem nada a ver com moda, engana-se.

Hoje nos deparamos com uma indumentária muito sexual para consumo. Inclusive, precocemente sensual, eu arrisco dizer. Afinal, o visual adotado por crianças é muito sensualizado para a idade delas, e depois que a Suri usou salto alto aos 4 anos de idade, hoje não é incomum ver uma jovenzinha usando um salto 4 no passeio de domingo no shopping. Também não é difícil ver blusas tomara que caia para crianças, ou a onda da vez, a blusa de um ombro só.

Ironicamente, temos já inserido no nosso cotidiano a luta contra a pedofilia. 

Pior ainda é considerar que certas marcas mais baratas – afinal, roupas infantis têm preço de roupas de adulto, e muito menos tempo de uso pelo crescimento exacerbado da criança- usam, leigamente, a mesma estampa de peças de adultos nas blusinhas infantis femininas, e assim mãe e filha podem sair vestidas iguais como num filme da Sessão da Tarde. O grande problema é quando a estampa usa termos como ‘Too Hot‘ ou ‘Sexy girl‘, que passa a ser muito invasivo e muito provocante – e pode plenamente ser inserido no cotidiano por pessoas que desconhecem outras línguas, sem ser culpa ou malícia dos pais. E isso não é impossível de se ver: eu tive o desprazer de ver isso hoje, mesmo, a tarde.

Estamos num cotidiano muito sexual. Precocemente sexual, como mencionei. Se você entrar em comunidades mais carentes, você se deparará com elementos que transformam a mulher em objeto meramente sexual. E um elemento nítido disso é a grande maioria das letras do funk, que estipulam um visual e uma atitude que acaba tornando-se padrão para as meninas mais jovens. Não, não podemos generalizar, temos muitas músicas que pregam que a mulher mostre-se de forma sensual, mas estas não agradam tanto o sexo oposto.

E, junto com a cultura e com o comportamento, está diretamente veiculada a vestimenta. E você, que busca compreender a cultura de moda, ou busca a elitização ou modernidade também através da indumentária, pode sentir-se quase agredida ao perambular em grandes centros urbanos: para as muito mais rechonchudas, túnica de poliéster e legging, com rasteirinha chinesa; para as jovenzinhas ou mais magrinhas, jeans colado skinny, do tipo levanta bumbum, com a impressão de ser dois números abaixo do que deveria; blusa de supplex, rica em recortes e/ou sobreposições. 

Claro, essa caracterização é pejorativa aqui na região sul. Em regiões mais praianas, como Rio de Janeiro, a exposição do corpo é mais evidente e sem tantos pudores; e tratando-se de exposição do corpo, o Rio Grande do Sul diferencia-se comportamentalmente

Os estudos mostram que mulheres bem sucedidas distanciam-se mais da necessidade de relacionamento, e este passa a ser um complemento para sua vida, não uma prioridade. Estas mulheres estão mais inseridas na cultura de moda, nas vanguardas, no posicionamento e ativismo da moda como cultura. Claro, nos deparamos com nomes como Sabrina Satto, que tem um personal stylist que coloca seus atributos em voga (e muito bem postos!). Neste caso, trata-se de seu papel na mídia, e sua relação direta a sua função no Pânico na TV – bem como de ex-BBB.

Ou seja, até mesmo o análise de sua função social é necessário na estruturação do estilo adequado.

Há algumas décadas a moda feminina afasta-se lentamente da sensualidade explícita. Isso não torna a moda menos feminina ou sexy, mas quanto mais o cotidiano está se tornando mais sexualizado, cada vez mais cedo, a moda está mais prática, mais ativa… é como a mulher que deixa de ser uma dona de casa que serve para gerar filhos e parte para uma disputa igualitária de trabalho, conhecimento e cultura.

E isso não é a mentalidade da mulher moderna?

Alana Rodrigues Alves, consultora de imagem do Esquadrão do Amor, do SBT, diversas vezes diz para as participantes do reality não posicionarem-se com as últimas tendências da moda, que isso apavora os homens. O intuito do programa é unir casais, e a autonomia da mulher, a expressão de independência, faz o homem sentir-se mais fraco, inferior. Ela tem de estar bonita, bem cuidada, mas não oferecer competição direta com o macho alfa. Igualmente ela não deve estar exposta como presa fácil, pois homens (supostamente) gostam da expectativa da conquista, e um pouco de dificuldade traz mais sabor ao jogo.

Seria isso que faz as popozudas de plantão não estabilizarem relacionamentos – vide McCatra?

Seria por isso que as it girls ao redor do mundo sempre aparecem sozinhas ou com outras it girls?

Não, não vamos estamos falando de machismos ou feminismos, mas do posicionamento que se tem na relação de respeito consigo e com o sexo oposto. Mesmo não dependendo de relacionamentos, dependemos de harmonia e posicionamento social para conseguir crescer nos objetivos pessoais. Pessoalmente, culturalmente e esteticamente.

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