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MEIO SONETO
a borboleta sob um alfinete
o morcego no bolso do poeta
chacais cotidianos de tocaia
um enxame de moscas sobre o pão
entretanto mais livres do que nunca
pombas
pombas
pombas
À BENGALA
Contigo me faço
pastor do rebanho
de meus próprios passos.
NANA PARA GLAURA
Dorme como quem
porque nunca nascida
dormisse no hiato
entre a morte e a vida.
ODE AO TURISMO
do juízo final
só eles serão poupados
porque nesse dia
estavam de passagem
FLORENÇA: ANTEDILUVIANA
se um dilúvio levasse tudo menos esta
galleria degli uffizi
seria muito fácil reconstruir o mundo:
não como era
mas como deveria ter sido
TEORIA DA RELATIVIDADE
devagar se vai longe
mais perto de deus o ateu
do que o monge
O ÚLTIMO HETERÔNIMO
o poema é o autor do poeta
SUCESSÃO
o concretismo está morto
viva a poesia
concreta
POÉTICA
conciso? com siso
prolixo? pro lixo
25 de dezembro
TIME IS MONEY
ele nasceu… não ouvem o galo?
vamos correndo crucificá-lo!
8 de agosto, dia dos pais
METAMORFOSE DOIS
quando lhe veio à lembrança
que bicho é pai de bicho
o pai de gregório samsa
juntou-se ao filho no lixo
19 de abril
DIA DO ÍNDIO
o dia dos que têm
os seus dias contados
31 de março/ 1° de abril
DÚVIDA REVOLUCIONÁRIA
ontem foi hoje?
ou hoje é que é ontem?
DRUMMONDIANA
Quando os amantes e o amigo
te transformarem num trapo,
faça um poema,
faça um poema, Joaquim!
OCIDENTAL
a missa
a miss
o míssil
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