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Chegou ao Brasil um filme muito esperado: Os Descendentes. O ganhador do Globo de Ouro para melhor filme de drama nos faz refletir carinhosamente sobre relacionamentos, família, sentimentos de culpa, trabalho, entre outras questões da vida moderna. E tudo isso dentro de uma atmosfera não hollywoodiana ou novaiorquina.
Quando você lê a sinopse, ou vê o trailer, você pensa: é mais um filme dramático sem relevância nenhuma. É aí que você se engana!
Matt King (Georg Clooney) é um advogado que vive no Hawaii. Mas o filme mostra um Hawaii longe do paraíso turístico. É um Hawaii da ambição, do dinheiro, e do trabalho. Eis que há um trauma na vida deste advogado e de sua família: sua mulher sofre um acidente no mar e fica internada em um hospital. A partir daí se desencadeia a narrativa do filme.
Apesar de ter dinheiro para viver (através de uma herança em terras, deixadas por seus ancestrais) Matt decidiu que viveria do seu trabalho, para que, entre outros motivos, suas filhas não crescessem mimadas. As duas garotas, no entanto, parecem sofrer com a ausência paterna em sua vida familiar. A mais velha, com 17 anos, teve problemas de relacionamento com a mãe, o que a afasta do seio confortável do convívio em casa. A mais nova, com 10 anos, tem pequenos problemas de relacionamento na escola. E em uma das reflexões iniciais paternas, Matt percebe há quanto tempo não cuidava de sua filha, e a partir daí vê que deve preocupar-se com as atividades da garota.
Elizabeth é a mãe. A personagem se torna importante, mesmo estando em uma cama de hospital, sem mover seus músculos e sem falar. Ela é quem move toda a estrutura da trama. E próximos à sua cama, é onde acontecem os diálogos mais importantes. E dentro de um panorama de problema familiar, encontramos o cotidiano.
A pequena garota de 10 anos nos faz lembrar a personagem principal do filme “Pequena Miss Sunshine”, além da estrutura do filme ser bem similar.
George Clooney faz por merecer a indicação ao prêmio. Sua interpretação sensível e ‘imperfeita’ remonta anseios e dramas cotidianos, e desta forma o espectador sente como o seu personagem.
Longe de qualquer maniqueísmo dos filmes hollywoodianos, Os Descendentes mostra seres humanos que vivem, que interagem, que choram, que fraquejam, que são fortes. Seres humanos bem humanos. E então nos esquecemos que estamos em uma cadeira de cinema, e aquela parece ser a nossa vida. Apesar deste esquecimento ser rompido muitas vezes pelos sons de possíveis choros dos outros espectadores nas cenas mais dramáticas.
O título do filme traz a tona a descendência marcada pela herança monetária, em que vender as terras dos ancestrais quebra com o respeito dos que já viveram ali. Matt King e suas filhas decidem a maneira que querem viver: em meio as ondas, música e sorvete (ora de flocos, ora de morango).
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