Madonna no Super Bowl

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Não teve jeito: todo mundo que ligou a TV ou ficou online em algum momento ontem, dia 5, não ouviu outra coisa. Madonna fez o show do intervalo do Super Bowl, a maior audiência televisiva americana. No dia 30 de janeiro, em entrevista no Tonight Show, com Jay Leno, ela falou da pressão que era assumir esse evento, pois tudo era cronometrado ao extremo – inclusive, ela só dispunha de 8 minutos para montar o palco e 7 minutos para desmontá-lo. Mas é claro que isso não afetou em nada seu show, nem sua performance apoteótica.

O primeiro look da rainha.

No setlist de 12 minutos, Madonna fez um mix que abria com “Vogue” e imendou em “Music“, “Party rock anthem” (do LMFAO, mesclando com trechos de “I’m Sexy and I Know It“), “Give me all your luvin” (que já tinha a letra vazada há tempos, e é o primeiro single de seu novo álbum, MDNA) e “Like a prayer“, e contou com a participação d0  LFMAO, do cantor Cee Lo Green, e das cantoras M.I.A. e Nicki Minaj – que é tida como a Lady Gaga negra.

Madona com Cee Lo Green, no gran finale com "Like a Prayer".

Com uma entrada triunfal, Madonna mostrou porque ela não é apenas uma diva, mas a eterna rainha. Como já falamos muito da Lady Gaga, temos de ter a certeza que ela teve um excelente exemplo a seguir: Madonna transita entre o campo da cultura popular e das tendências de moda com pitadas ultra fetichistas desde sua primeira apresentação na MTV (a polêmica apresentação de “Like a Virgin“). Desde então, cada álbum é um marco – inclusive na moda.

Madonna: sempre no comando.

Se você avaliar a performance do Super Bowl da rainha do pop, você verá muitas coisas que já vimos anteriormente: a cintura marcada e os quadris em evidência, numa aparição inicial que lembrava algum épico - ou uma temporada de Xena, na fase egípcia, mas nada datada.

As transições de Madonna no Super Bowl. By Givenchy.

E se isso parece uma piada, avalie da seguinte forma: essas tendências que estão sendo revisitadas pertencem ao final dos anos 80, início dos anos 90. E os 90′s não são marcados apenas como a época da identidade, mas socialmente foram marcados pelo girl power. E, sim, 20 anos depois é necessário revisitar isso – e Madonna é com certeza o nome ideal para isso. Aos 53 anos, ela superou sua fase de aparecer de qualquer forma e passou a querer propagar suas crenças pessoais. Não, isso não quer dizer que ela sai pregando a Cabala ou qualquer coisa assim, mas sim, que ela está expondo novas noções de sucesso pessoal, dentro e fora dos palcos. Sem precisar pagar calcinha em rede nacional ou ser um ser caricato em entrevistas, ela expõe sua maternidade e seus sentimentos. Veja como o refrão de seu novo single mostra sua sensibilidade emocional, mas que ao mesmo tempo não aceita esmolas!

Don’t play the stupid game

Cause I’m a different kind of girl

Every record sounds the same

You’ve got to step into my world

Give me all your love and give me your love

Give me all your love today

Give me all your love and give me your love

Let’s forget about time

And dance our lives away

Realmente o Super Bowl mostrou que toda a polêmica que se criou ao redor da diva  nas últimas semanas pode ficar pra trás, afinal, ela apenas expôs uma verdade nua e crua: se acham seus shows muito caros, sim, ela vale a economia durante um ano inteiro. O que muitos caracterizaram como megalomania, podemos ver que na verdade é apenas a valorização de seu árduo trabalho, e além disso sabemos que ela é uma boa remuneradora de profissionais (e são muitos!). E se ela sabe bem quem é, ela sabe o quanto investe… e o quanto vale! E, sim, nós gostamos da exposição que ela faz do seu ‘eu‘.

Sim, já vimos Madonna mesclando o Le Parkour com a Disco Music, bem como sendo uma femme fatale (que bem que se fazia de lolita) em street dance e R&B feelings, ou uma noivinha nada virginal que se postava como uma pin up. Podemos sentir a cada disco e a cada aparição uma nova energia, um novo conceito, uma nova mutação. E saber que se pode amadurecer e sempre seguir mudando e realizando sonhos é uma visão de futuro muito real e muito madura. Sim, ela sabe ousar, e sabe mostrar explicitamente que ainda pode brincar com a sensualidade que a colocou em voga sem perder a classe; ela sabe portar-se e mostrar-se a dona do pódio, que desbanca qualquer nova onda que aparece. Sim, ela sabe o que faz!

Um comentário

  1. Este show, junto com a música em que M.I.A. aparece, é de certa forma bastante emblemático, é simbólico, e os clipes que a M.I.A. vem lançando, seguem polemizando no mundo Árabe, alvo do clipe da cantora.

    De certa forma, tudo meio que se encaixa, onde todas as mulheres, estão de certa forma, mostrando o “poder feminino”, em detrimento do “imperialismo romano” do homem na sociedade.

    É divertido ver a Madonna apoiando iniciativas culturais como a da M.I.A. e inclusive integrando o pensamento através do seu próprio trabalho.

    Artistas como a Madonna, e agora a M.I.A são “pontas de flecha” que abrem caminho para a liberdade feminina, trazendo conscientização através da música, polêmica mas com a verdade ao seu lado.

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