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O que falar sobre um dos grandes artistas do cinema de nossa era? Sensibilidade, humor, ousadia, compreensão. Dentre outras tantas palavras, o diretor consegue como ninguém empreender além da alma humana, compreender aspectos que apesar de cotidianos, ardem no sangue dos personagens.
Pedro Almodóvar inspirou toda uma geração de novos cineastas, que distantes da velha e decadente Hollywood, pretendem dar forma a um cinema latino. A destemperança vem de diversas outras funções que o cercavam no dia-a-dia de sua vida.
E sem demasiado preconceito ou carga “Cult” seus filmes se tornam referência em qualquer conversa de amigos, pois o que Almdóvar trata parece que todos sentem! Sem mais, foi o primeiro espanhol a ser indicado ao Oscar de melhor realizador.
Em seus filmes tudo é rápido, mas intenso. Não consigo esquecer da frase em “Carne Trêmula” proferida pela personagem Helena para seu marido, quando mostra não querer sexo: “Está doendo… É que passei a noite toda trepando!”.
A traição (aqui tida como necessária para a trajetória da narrativa) é um “tapa na cara”. A omissão da mesma é vista pela sociedade como uma assertiva de quem trai. Um tabu é quebrado através da sinceridade excessiva de Helena. Tabu, que vira humor, daquele tipo negro! Em “Carne Trêmula”, Almodóvar mostra que acredita na conspiração do Universo para as atividades dos seres. Não tente entender… Os fatos ocorrem de uma maneira não previsível, mas parece tudo de acordo com a vida das pessoas.
As vezes se parece com uma tragédia grega, as vezes como um conto de Woody Allen.
E esta capacidade de agregar o antigo interior humano, com as inovações citadinas dos sentimentos confusos do Século XX, são o que fazem deste autor uma inspiração para a reflexão, por vezes esquecida.
A loucura em “Volver” vem com o vento, e voltar se torna necessário para dar continuidade ao ciclo da vida. A morte aqui é libertação da violência, e através dela se recupera a vida e se torna a ‘volver’ – voltar.
Não há como falar de Pedro Almodóvar e esquecer de sua diva: Penélope Cruz.
Ela faz parte de quase todos seus filmes de grande venda de bilheteria. Uma mulher de beleza inconfundível, que retrata sempre a força da mulher, sem cair na vitimização ou omissão do pensamento de fraqueza. Ela sempre é forte porque precisa ser! E de uma forma sensível, retrata a mulher latina decidida e eficaz. Ela mata… muitas vezes sem culpa!
Quanto se diz que algo está Almodovar, quer se dizer que está colorido, forte e vibrante.
Muito se ouve sobre “A Pele que Habito”. Era esse o propósito!
Interferir nas leis naturais, acaba sendo algo natural ao ser humano. É essa a questão do filme. Neste filme, o diretor quebra um pouco com seu estilo e traz um pouco do início do século: o expressionismo. Assim, coloca Antonio Banderas no papel de um médico-monstro, que dá forma a uma criatura. Amodovar e expressionismo parece não combinar muito, não é?
Acredito que com esse filme, Pedro Almodovar conseguiu mostrar um outro lado do seu cinema. Quem sabe vem aí uma nova forma dele mesmo?
Veja o Trailer de A pele que habito:



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