Teatro conceitual x teatro comercial

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De um lado temos a pesquisa aprofundada, a densidade dramatúrgica. Do outro, o riso, o frescor e a identificação imediata com situações corriqueiras e do dia a dia. De um lado o choque, o impacto. Do outro a representação e a leveza da ironia por vezes superficial. Teatro conceitual x teatro comercial. E aí leitor, o que você prefere?

                                                                                   Parasitas

Mas calma, você não precisa escolher ou um ou outro. Talvez você aprecie os dois, um deles ou nenhum. A verdade é que um não é necessariamente melhor do que o outro, é perfeitamente possível existir uma montagem de Tchekhov que seja pífia e irrisória e um espetáculo em torno de quarentões e suas puladas de cerca que seja excelente. A verdade é que o segredo está na forma como uma história é contada. E aí talvez possamos encontrar uma justificativa que explique porque tantas peças conceituais com estética impecável não atinjam o público pertencente a cultura de massa.

                                                                                            Medeamaterial

Vamos lá: o teatro conceitual de uma maneira geral foge da narrativa óbvia. Utiliza metáforas, performances corporais, pausas e silêncios, dramaturgia fragmentada. Em outra vertente desse estilo, baseia-se no choque e na crueza, escancara e não mascara o âmago do ser humano. Sai por vezes do universo realista e utiliza analogias para justificar sua trama. É um teatro de difícil assimilação, afunilando como consequência natural seu público, formado quase que na totalidade pelo nicho erudito. Dois exemplos recentes desse estilo são os excelentes Parasitas, com direção de João Pedro Madureira e Medeamaterial, de Igor Pretto e baseado na obra de Heiner Muller.

Se meu Ponto G Falasse

O teatro comercial foca-se no campo oposto. O cotidiano, as situações corriqueiras, a identificação imediata do espectador. A emoção e o riso brotam mais gratuitamente e são as peças que na grande maioria das situações (com raríssimas exceções) geram as maiores ovações do público. Mas voltando a enfatizar o que comentei no segundo parágrafo, isso não é necessariamente um demérito, ao contrário, existem espetáculos comerciais excelentes e com uma sensibilidade muito mais aguçada que muitas tramas conceituais. E graças a deus Porto Alegre (ao contrário de outras capitais) é um pólo fortíssimo nesse segmento, com peças consagradas com mais de uma década de existência. Homens de Perto, de Néstor Monastério, e Se Meu Ponto G Falasse, de Júlio Conte, são dois ótimos exemplares desse segmento.

                                                                                   Homens de Perto

Em breve irei comentar sobre peças que unem o lado conceitual e o comercial em uma mesma narrativa. Até a próxima, caro leitor!

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