Um pouco longe do Oscar, mas nem tanto: Medianeiras Buenos Aires na era do amor virtual.

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Muito se está falando sobre a noite do Oscar! E não é para menos, este é o evento mais esperado em relação ao cinema. Mas ao invés de passar para vocês uma simples lista do concurso cinematográfico, decidi que escreveria sobre um filme que concorreu a outros prêmios em outros países, um latino-americano. Um argentino. E sobre o Oscar – é um compromisso – vamos arrecadar os vencedores e deixá-los para a semana que vem! Ok?

“Medianeiras” é um filme simples, simpático e inteligente. Um ensaio sobre a solidão nas grandes cidades.  O filme, como representa o seu título, se passa em Buenos Aires, e mostra um lado frio e triste de se viver em uma cidade grande. Apesar da diversidade de opções (de entretenimento, trabalho, entre outros) a cidade se torna cada vez mais reclusa ao mundo individual. E nos primeiros instantes do filme, isto é mostrado através da arquitetura dos prédios e o tamanho dos apartamentos.

Martin e Mariana são dois solitários, que tiveram relações frustradas e se enterram em seus apartamentos, na reclusão do próprio ser.

Martin há 10 anos sentado em frente ao computador!

Ele é criador de sites, e em sua narrativa diz “há 10 anos sentou em frente a um computador e parece que nunca mais saiu”. Síndrome dos novos tempos. Comunicação que as vezes desloca uma pessoa para o seu próprio interior, de onde nunca mais sairá!

Mariana procurando Wally!

Ela é uma arquiteta, que nunca trabalhou na área, e sim monta vitrines – um lugar, que não é lugar, que não é dentro nem fora. Desta forma, pode-se considerar que a personagem está sempre em lugar algum, não quer ser encontrada, porém ainda procura “Wally na cidade” desde os 14 anos. Wally mostra a nossa personagem o quão pequenos somos dentro do universo, e entende-se fazer apenas uma pequena parte dentro dele. Assim, passa com membros de manequins pelas ruas de Buenos Aires, e mesmo que braços estejam para fora de sua bolsa, ela não é notada. Parece que não faz diferença.

De qualquer forma o universo se esforça MUITO para conspirar o encontro destes dois solitários (um pouquinho desesperados). Desde janelas em seus prédios, a conversas em “chats”.

O diretor Gustavo Taretto consegue uma identificação rápida e eficaz com o espectador. Nós queremos que Mariana encontre Wally na cidade. E que Martín pare de tomar tantos medicamentos. Afinal, a vida é simples. Então esqueça os grandes acontecimentos (como o Oscar) por alguns momentos e curta a intensa história de nossos vizinhos. E sinta, pois falta sentir!

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