O centenário de Nelson Rodrigues: A Dama do Lotação

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Seguindo a homenagem ao mestre Nelson Rodrigues, hoje abordarei um conto escrito por ele que causou uma enorme polêmica, sendo uma das primeiras publicações nacionais a abordar de forma mais profunda e não caricaturizada a erotização da mulher: A Dama do Lotação.

Escrito entre 1951 e 1961, o conto faz parte da compilação A Vida Como Ela É, uma coluna que Nelson comandava no jornal A Última Hora, e que foram reeditadas em formato de livro em 1992. De conteúdo altamente controverso, a obra tratava de temas como frigidez feminina, estupro no casamento e relações incestuais dentro do nicho familiar.

Solange e Carlinhos se conhecem e são apaixonados desde a infância. Como consequência natural decidem se casar, porém na noite de núpcias Solange reluta em se entregar ao marido e acaba sendo violentada. O resultado desse estupro matrimonial é o mais antagônico possível: Solange passa a adotar um comportamento lascivo e desenfreado, renegando o marido e em contraponto buscando relacionamentos efêmeros com homens vulgares em ônibus de lotação.

O conto teve uma adaptação para o cinema em 1978, com a direção de Neville de Almeida e com Sônia Braga no auge de sua beleza e sensualidade no papel da protagonista. Ainda no elenco, Nuno Leal Maia, Jorge Dória, Roberto Bonfim e Paulo César Pereio. Apesar de gerar uma enorme polêmica na época, a produção é a quarta maior bilheteria do cinema brasileiro, com cerca de 7 milhões de espectadores.

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