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De uns tempos pra cá a qualidade da produção novelística caiu de maneira significativa. As tramas se tornaram batidas, com uma obviedade de narrativas que beiravam até as telenovelas mexicanas. Para os nostálgicos de plantão, urge uma saudade dos bons tempos de Vale Tudo e Rainha da Sucata, só pra citar dois exemplos de excelentes folhetins, aonde a dramaturgia era incrementada e os vilões eram antológicos.
Pois coube a João Emanuel Carneiro a tarefa de modificar esse cenário. Avenida Brasil, nova atração das 20 horas, já entrou com a promessa de ser arrebatadora, fomentando novamente aquele público que apreciava uma trama instigante e um enredo diferenciado. A estética é incrementada, a direção de José Luiz Villamarim e Amora Mautner é segura, com angulações e movimentos de câmera semelhantes aos utilizados no cinema.
O enredo inicia em 1999 quando Rita (Débora Falabella), após a morte de seu pai Genésio (Tony Ramos), é abandonada num lixão pela madrasta Carminha (Adriana Esteves). Lá ela conhece e se afeiçoa muito por Batata (Cauã Reymond), que acaba sendo adotado pelo jogador de futebol Tufão (Murilo Benício). Rita, por sua vez, é adotada por uma família argentina e passa a se chamar Nina, residindo na cidade de Mendoza. A trama dá um salto de 13 anos, a menina torna-se uma renomada chef de cozinha e consegue assim emprego na casa de Tufão, hoje marido de Carminha. Inicia assim seu plano de vingança.
Outro grande mérito de Avenida Brasil é o elenco, que de maneira geral está impecável. A Carminha de Adriana Esteves é, sem sombra de dúvida, um dos melhores papéis de toda a carreira da atriz, que chega a gerar ao mesmo tempo uma repulsa e empatia, tamanha a densidade de sua personagem. Débora Fallabella mostra aqui que é possível fazer uma “mocinha” cheia de contradições, tirando aquele estereótipo clichê e falso de uma atuação com excesso de vitimização e exagero. Sua Nina é humana. Outro grande destaque é a atuação de Heloísa Perissé no papel da cabeleireira Monalisa, mostrando um belo registro dramático, ainda que por vezes cômico.
Além do enredo central, surgem temas como a bigamia (o peronagem de Alexandre Borges é casado com duas mulheres) e o homossexualismo no futebol (Roniquito, interpretado por Daniel Rocha, nutre um amor crescente pelo amigo Leandro, interpretado por Thiago Martins).
Se Avenida Brasil vai sustentar o argumento proposto isso é outra história. Aguardem as cenas dos próximos capítulos!
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