Especial Palco Giratório: Música para cortar os pulsos

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“Onde começam as histórias de amor?

Quantos amantes elas sacrificam para serem contadas?

“Em que parte da música elas terminam?”

Três adolescentes. Três amigos. Sonhos, expectativas, amores não correspondidos. Ansiedade, euforia, decepção, constatação. Isabela carrega a lembrança do abandono recente, Felipe está numa fase de incertezas e descobertas e Ricardo terminou um namoro recente com Arthur pois se apaixonou por Felipe. Três seres humanos em busca de si mesmos.

Espetáculo aclamado no cenário paulistano de teatro, Música Para Cortar os Pulsos, foi a vencedora do prêmio APCA (Assosciação Paulista de Críticos de de Arte na categoria melhor peça jovem de 2010 e faturou o Troféu Ítalo Rossi 2011 de melhor Espetáculo e Direção.

E os méritos definitivamente não são a toa. A jovem companhia Empório de Teatro Sortido (criada por Rafael Gomes – diretor da peça – e Vinicius Calderoni) exibe aqui um trabalho de uma sensibilidade tocante. O cenário é simples: três painéis ao fundo aonde no início de cada ato, os atores escrevem a palavra-chave da cena, três microfones com uma lâmpada embutida em cada um e mais alguns poucos elementos utilizados pelos atores para compor a narrativa. E é nesse espaço que tece-se o enredo da trama, que foi concebida originalmente para um roteiro cinematográfico com influências de canções e trilhas que marcaram a vida do diretor. Das trilhas vieram as situações e das situações surgiu o texto.

Fábio Lucindo é doce e carismático na pele de Ricardo e alcança seu ápice no momento em que narra a declaração de amor à Felipe, Victor Mendes na pele de Felipe é inseguro, ansioso e levemente frenético, denotando a dificuldade latente dos adolescentes em fazer escolhas e se apaixonar, mas convém aqui enaltecer a atuação absolutamente arrebatadora de Mayara Constantino, a melhor atuação da peça, envolvente, frívola e romântica na pele de Isabela.

Os atores, apesar de serem atores paulistanos, poderiam ser gaúchos, paranaenses, cariocas e etc, pois as situações ali vivenciadas afligem todos os adolescentes ao redor do planeta, com temas universais e, mais importante, dando voz (à exemplo das peças locais Adolescer e mais recentemente O Clube Dos Cinco) à um gênero teatral cada vez mais esquecido e negligenciado por muitas companhias teatrais e que urge por uma necessidade vital de expressão.

Ao final, a platéia, repleta de um público heterogêneo aplaudiu justamente de pé o espetáculo, que merece rodar o Brasil inteiro tocando os corações de muita gente.

FICHA TÉCNICA

Texto e Direção: Rafael Gomes

Elenco: Fábio Lucindo, Mayara Constantino e Victor Mendes

Cenografia: André Cortez

Iluminação: Marisa Bentivegna

Figurino: Anne Cerutti

Assistência de direção e preparação de atores: Thiago Ledier

Operação de Luz: Renato Franco

Produção: Euforia Produções/Substância Filmes e Outras Misturas

Direção de Produção: Isabel Sachs

Produção Executiva: Ana Terra

Coordenação de Produção: Giba Ka – Dois Pontos Produções

Produção Curitiba: Edran Mariano

Produção Florianópolis: A&B Eventos

Produção Joinville: Studio Produções

Produção Porto Alegre: Palco Aberto

Projeto Gráfico: Camila Sato

Adaptação Projeto Gráfico: Leandro Machado

                                   

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