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Um quarto de criança. Alice, uma menina doce e sapeca aproveita cada instante de sua infância. Criatividade, imaginação, euforia. Em seu universo particular, a garota dá vazão aos seus pensamento aonde bonecos tornam-se músicos de uma banda, um baú de utensílios transforma-se em uma canoa, seu corpo singelo dança como se estivesse em uma apresentação de ballet.
Tudo transcorria muito bem até que Lábaros, uma criatura mal-humorada, cai no quarto de Alice vindo de um mundo opaco, sem cor e sem imaginação. No início ele fica relutante e acha uma besteira as brincadeiras que a menina peralta realiza, mas aos poucos acaba se sensibilizando e aderindo ao universo colorido da imaginação. Música de imaginar, novo trabalho do Grupo Aquarela e com direção de Daniel Colin, é um espetáculo que fala do lado sensitivo do ser humano, da importância das brincadeiras, da união, da pureza dos sentimentos, da leveza e da poesia da vida.
Fernanda Petit, que eu já comentei nesse post ser uma das mais expressivas atrizes de sua geração, nos presenteia com uma atuação pura, tocante e singela. Ela faz o que poucas atrizes conseguem: interpretar uma criança sem imitar e o resultado é uma organicidade em sua caracterização, revelando também uma bela cantora. Totonho Lisboa, no papel de Lábaros, vai pelo mesmo caminho: cria um personagem rabugento sem ser caricato e denota muito bem a nuance que seu personagem passa quando percebe que sempre foi solitário e de como sofria com isso. A banda, composta por Fred Bessa, Tiago “Teimoso” Ritter, Fernando Lenz e Vanderlei (Nambu) Fointanella, é de ótima qualidade, com os músicos-atores interagindo em vários momentos com os protagonistas.
Música de Imaginar é um espetáculo não só para as crianças, mas para pais e adultos também, pois faz um resgate de valores como amizade, amor e a importância de respeitar o próximo, independente de seu estilo. Ressalta também o significado de se ter amigos, em um mundo aonde cada vez mais as famílias aderem a video-games, negligenciando muitas vezes seus filhos. As brincadeiras do espetáculo são atemporais, eu me senti criança novamente, outras pessoas também sentiram o mesmo. São brincadeiras imaginativas. E por isso são mágicas.
FICHA TÉCNICA
Direção: Daniel Colin
Texto: Totonho Lisboa
Música: Fred Bessa
Elenco: Fernanda Petit e Totonho Lisboa
Músicos: Fred Bessa, Tiago “Teimoso” Ritter, Fernando Lenz e Vanderlei (Nambu) Fointanella
Figurinos: Leopoldo Schneider
Cenários: Tchakaruga de Paranaguá
Iluminação: Carol Zimmer
Arte e Maquiagem: Aline Rodrigues
Audiovisual: Leandro Benites e André Brasil
Bailarina: Aline Martins
Mãe: Claudia Lewis
Realização: Grupo Aquarela
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