A Invasão Europeia na História da Arte: América em foco

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Quando pensamos em História da Arte, logo nos vem à mente a imagem das obras de Leonardo da Vinci, Pieter Bruegel, Monet, Van Gogh, Cezanne. Alguns mais preocupados com as raízes do assunto irão lembrar da arte greco-romana, das colunas dóricas e jônicas, já outros mais atualizados poderão pensar em Andy Warhol. Todas são obras fantásticas que recheiam os livros de arte e os trabalhos de educação artística das escolas brasileiras. Porém, todas são europeias. Será que não havia arte na América? O que faziam os nativos do nosso continente antes 1500? Sabemos que desde a pré-história a atividade artística servia como interpretação de mundo. Portando onde há seres humanos existe arte em suas diferentes expressões.

Todos os estilos que conhecemos, todos os “ismos” partem da Europa, que “catalogou” a arte em períodos, estilos etc. Pouco (ou quase nunca) foi reconhecida a arte na América antes da invasão de Colombo. Os espanhóis, por exemplo fizeram questão de destruir o Império Asteca: Apagaram grande parte dos vestígios dessa complexa civilização, impondo sua cultura como legítima. Até hoje os Quipus, registros feitos através de nós em cordas utilizados pela civilização Inca, não foram decifrados; O mundo inteiro sempre esteve mais preocupado em desvendar os enigmas da Monalisa.

Quipus, arte pré colombiana

Alguns anos depois, os portugueses se instalaram no Brasil e seguiram o exemplo dos espanhóis: Foram se alastrando e destruindo quase toda a cultura que iam encontrando. Ainda vejo muitas pessoas usarem o seguinte argumento: “Índios eram primitivos, não tinham a Arte como algo reconhecido”. Bom, mas com toda a devastação e o desprezo que os nativos da América sofreram, como podemos saber o que realmente pretendiam?

Tudo que eles possuíam lhes foi tirado. Desde seus territórios até seus pensamentos.

Passaram-se alguns séculos e, finalmente, surge a Semana da Arte Moderna. Artistas brasileiros como Tarsila do Amaral recebem muito destaque a passam “bombar” nas aulas de Artes. Muito bem, um evento feito por artistas que foram estudar na França, trazendo as ultimas tendências europeias (sendo adaptadas a temas regionais).

Mais uma vez, o padrão de Arte europeu é imposto na América.

É cômodo acreditar que nossos antepassados europeus contribuíram positivamente para o desenvolvimento da arte na América, trazendo suas técnicas e estilos. Pois, é muito dolorido quando percebemos que houve uma imposição cultural. Imposição essa que se deu através de massacres, tomadas de territórios e destruição de vestígios que envolviam toda a manifestação artística dos nativos, reduzindo a meia dúzia de cumbucas e cocares que vemos nos livros de história da arte.

Peça de exposição no Museu de Arte Pré Colombiana em Montevidéo-Uruguai. FOTO: KIKA Freitas

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Comentários

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Um comentário

  1. Thiago guedes /
    Nunca havia pensado por esse lado, mas é uma verdade irredutível. Tivemos uma educação artistica deveras européia e muito da arte das americas passaram como complemento e não como fato reconhecido. Mas isso também deve-se, como citado no texto, ao fato dessa “catalogação” européia de estilos e gêneros. Hoje em dia, por causa da mídia e de todos os meios de comunicações existentes, estamos programados a pensar em arte justamente com seus Leonardo da Vinci, Pieter Bruegel, Monet, Van Gogh, Cezannes… Apesar de sabermos que pode não ser bem assim, há uma “decodificação” imposta desde a nossa infância e quando falamos em arte, automaticamente somos atirados para essa “verdade imposta”… Sad But True.

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