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É tempo de São Paulo Fashion Week e todo o frenesi que o maior evento de moda brasileira causa no mundo.
Mesmo que possamos entrar em todo aquele debate sobre a veracidade da produção e consumo de uma moda brasileira, não podemos ignorar que o Brasil está em alta em todos os quesitos, chamando todos os holofotes para a SPFW.
O Brasil está tão em alta que até os estilistas resolveram evidenciar isso nas passarelas. Se a Amapô resolveu criar sua inspiração em alto mar -num cruzeiro fashion-, outros criadores foram ainda mais explícitos. Adriana Degreas se inspirou na ‘Bahia de todos os Santos‘, e Alberto Hiar colocou Salvador como o foco da Cavalera; Valdemar Iódice olhou para o mar e se inspirou no movimento das águas, e a Ellus mergulhou no escuro para fazer seu ‘Night Diving‘; O próprio Oskar Mersavaht e o ‘Endless Summer’ da Osklen trazem essa imagem que o Brasil tem lá fora para as passarelas, assim como André Lima e seu conceito ‘livre e hippie‘. Reinaldo Lourenço trouxe o tropicalismo para suas estampas e cartela de cores, sem esquecer do contraponto com o militarismo. Fernanda Yamamoto capturou as essências arquitetônicas de Hélio Oiticica (em contraste com o trabalho arquitetônico quase militante de Luis Barragán).
Não é a toa que, diante de tantos argumentos, já no segundo dia de SPFW determinaram quais serão as estampas e as cores que deverão tomar conta das vitrines a partir de agosto/setembro.

A cartela de cores principais do feminino estão enfáticas nessa obra do Circuito CULT de Buenos Aires, enfatizando o pink e o coral nas apostas da estação.
Creio que o grande trunfo da SPFW foi o rompimento da ideia do elitismo cultural, tendo seu cenário assinado por Marcelo Rosenbaum – o arquiteto queridinho do Luciano Huck, responsável pelo “Lar Doce Lar”, o quadro mais populista do sábado da TV aberta. Ele, que aos sábados tenta inserir sustentabilidade no cotidiano e nas casas das pessoas, expôs o “A Gente Transforma” no Pavilhão da Bienal, projeto este que ‘busca o design para expor a alma brasileira’.
Nesta 33ª edição, vemos uma SPFW mais afinada com a brasilidade e o calor do povo brasileiro. Para aqueles que não acreditam em uma moda estritamente brasileira, isso pode ser o primeiro passo para esse conceito se mudar, e para aqueles que acreditam que a cultura e a arte são parte de um conceito específico e datado dados e informações, aí está o exemplo de que nenhuma influência é tão vazia e sem sentido que não mereça ter atenção: populista ou elitista, todo tipo de informação hoje pode virar arte, e toda a arte pode ser uma ação social.
Infelizmente, como a compreensão da moda está cada vez mais associada ao consumo e a beleza – talvez por culpa dos programas de TV e dos blogs que transformam moda em fofoca e futilidade -, os aprendizados e compreensão de uso (que, em desfiles, se expressam por conceitos) estão cada vez mais restritos, bem como o argumento das peças. Desta forma, a SPFW hoje se expressa como um Bureaux de Estilo, tendo suas peças mais elaboradas sendo ignoradas e incompreendidas, e ditando unicamente estamparias e cores, assemelhando-se a um catálogo de fios.
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