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Ontem foi dia 19/06, dia do cinema brasileiro, e para comemorar esta semana, nada melhor do que falar sobre o preconceito brasileiro sobre o próprio cinema. É quase impossível alguém nunca ter ouvido que o cinema brasileiro é ruim, somente há sexo, favelas e violência. E o que é mais interessante nisso tudo é que se o cinema é memória, e pensamos desta forma em relação ao nosso cinema, quer dizer que essa é a imagem que temos de nós mesmos!
É claro que ao emblematizar tais frases, a maior parte dos brasileiros está falando da conhecida “Pornochanchada”. Mesmo que muitas pessoas não conheçam este conceito, ou que o reproduzem de forma preconceituosa, este cinema era feito para a alienação do brasileiro perante o momento histórico conhecido como Ditadura Militar. Além disso, a política da época exigia uma cota de filmes nacionais por ano, o que dava espaço para o desenvolvimento do gênero. Eram filmes extremamente lucrativos, desta forma os investimentos de produtores independentes, de comerciantes eram algo que acontecia de fato. A Pornochanchada vem para estigmatizar alguns estereótipos criados anteriormente, com a literatura brasileira.
De qualquer forma, o gênero é algo passível de estudos sociais, de compreensão da época e da nossa arte hoje. Sem dúvida o cinema brasileiro tem muitos e muitos filmes dos quais podemos nos orgulhar. E mesmo com o preconceito, o cinema ressurge na década de 1990, como uma forma de expressão, entretenimento e crítica.
Mesmo em tempos de ditadura militar, temos fortes filmes que se tornam importantes para o questionamento nos trópicos. Em 1955, é feito o filme “Rio 40 Graus”, de Nelson Pereira dos Santos. Este filme é posteriormente censurado, e mesmo proibido no Brasil, não deixa de ser extremamente importante. Com a influência do Neo-realismo italiano, a população carioca toma voz!
Além desse filme, temos o diretor Glauber Rocha, que com seu punho estava sempre disposto a nos dar aquele soco no estômago. Para provar isto, há o filme “Terra em Transe”, que também inspirado pelas novas tendências cinematográficas, dispõe de um vômito um ano antes do golpe militar, 1967.
Então chegaremos a uma boa década de 1990, com a retomada do cinema brasileiro, há muito perdido pelas grandes indústrias norte-americanas. E em 2001, teremos um filme de grande expressão: “Abril despedaçado”, dirigido por Walter Salles, que encabeça um dos fortes atores do cinema brasileiro Rodrigo Santoro! A temática de vingança das famílias no sertão nordestino é encarada aqui, de uma forma simbólica e poética, através da visão do personagem Tonho.
Já em 2004, temos a estreia do filme “Nina”, protagonizado pela atriz Guta Stresser, que neste filme mostra muito além de um’A Grande Família’. O filme remonta a obra emblemática de Dostoévski “Crime e Castigo”, porém ambientada em uma fria São Paulo, onde todos estão procurando por nada, e não se importam com ninguém, além de seu próprio corpo.
Logo depois em 2006, teremos “O Ano em que meus pais saíram de férias”, remontando o momento Ditadura Militar, um garoto é afastado dos pais, que fogem do Brasil, por temerem a repressão brasileira naquele momento.
E você? Vai ficar aí falando que cinema brasileiro é isso ou aquilo? Seu preconceito é senso-comum, em um mundo de diversos aprofundamentos!
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