A sensibilidade no teatro

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Um processo teatral é algo extremamente fascinante. E por diversas razões. O impacto causado por um texto é diverso tanto no público quanto nos próprios atores. Atuar, por si só, é muito complexo e envolve sentimentos e sensações que muitas vezes não são absorvidos corretamente pelos intérpretes, o que faz com que determinada peça não obtenha êxito em seu trajeto inicial.

E aí entra o fascínio do teatro: a conexão com o público, aquele “starte” perfeito que ocorre na junção do subtexto artístico com a emoção genuína do espectador. Essa é uma das grandes vantagens do teatro em relação ao cinema: no cinema, o trabalho já foi realizado, os atores já buscaram em horas e horas de gravações extenuantes em um set de filmagem seus estímulos, é o famoso dito: ou vai ou racha. Já nos palcos existe a possibilidade de inverter o jogo, de se metamorfosear, de buscar a essência e a sensibilidade em cada holofote que acende. Cada nova apresentação é a possibilidade de transpor um obstáculo.

Entretanto, o inverso também é verdadeiro. Principalmente quando alguns atores adentram em sua “zona de conforto”. Eu vou explicar: é muito comum atores que iniciam de forma muito bem-sucedida um determinado papel relaxarem em suas apresentações, acreditando que já estão prontos e que não há mais nada a trabalhar. Esse é um erro crucial cometido tanto por intérpretes mais jovens como veteranos. O ator precisar ter a consciência de que nunca atingiu o 100%, que no ofício teatral não existe a perfeição e a busca e dedicação é integral e contínua.

Por isso, você que tem a intenção de adentrar nesse território sinuoso mas fascinante, tenha sempre essa tríade na cabeça: trabalho, dedicação e sensibilidade.

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