Tudo o que você sempre quis saber sobre literatura e tinha medo de perguntar – parte IV

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“Dostoiévski em Memórias da Casa dos Mortos, diz que, para os homens, o pior castigo é a falta de um trabalho ou um trabalho sem sentido; levar um carrinho com areia de um lado para outro, por exemplo, sem jamais construir nada.

Assim, escrever, para mim, é trabalho que faço por necessidade e na esperança de dar à vida um sentido, mesmo sabendo que não há sentido, um trabalho sem o qual não poderia viver e no qual me divirto e desabafo.” 

Ana Mariano 

“Acho que, quando estou escrevendo um poema, não é nem a literatura, nem outras artes, nem a experiência, nem determinado sentimento que mais me influenciam, mas as próprias palavras. É delas que tudo emana, são elas que me deixam livre.” 

Diego Grando

“O ensino universitário de literatura não promove a poesia e nem a prosa inventivas. Para Borges, professores de literatura não gostam da matéria que ensinam.  À academia só interessa o “controle institucional da interpretação” a propósito de algumas obras a respeito das quais tudo já foi dito.

Ronald Augusto 

“A música faz o verso querer ser música. Já o cinema, sua imensa e múltipla capacidade narrativa, seus cortes de cena, suas elipses e metáforas, é outra grande fonte em que o poeta pode aportar sua vívida precariedade.”

Marco de Menezes

“Nunca me apresento como autor gaúcho; uso a língua portuguesa para escrever, e nisso está o máximo de circunscrição tolerável.”

Paulo Scott

“Preciso parar de fumar. Mas filaria um cigarro do Herberto Helder.”

Leonardo Marona

“Preferiria que as pessoas fossem literárias com mais frequência. Se expressassem mais. Mas também preferiria que o sorvete de flocos substituísse o morango no napolitano. São desejos antidemocráticos, de fonte única.”

Nathalia Rech 

“Grandes autores sobreviverão ao esquecimento, outros, obviamente, nunca serão lembrados. Acredito que a quantidade de obras publicadas não será capaz de alterar a conduta desse juiz inquestionável.”

Lorenzo Ganzo Galarça

“Nasci no milênio passado. Num livro sublinho, sinto o cheiro, toco, derramo café. Amarfanho, ponho orelhas. Por fim, sinto como uma presença. Desculpem-me por favor o meu modo de vida em obsolescência.” 

Jaime Medeiros Jr

“Gosto mais da literatura que se aproxime do irreal, nonsense, ou de uma realidade absurda. Não acho que hoje em dia faça sentido escrever algo que se aproxime de uma estética demasiado realista. O mundo em que vivemos é estranho e absurdo demais a ponto de uma narrativa realista soar incongruente.”

Rafael Sperling

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